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15-22 de Março: dias de protesto internacional contra a guerra e ocupação do Iraque

A hegemonia do “U$ dollar”: O ponto fraco do império
(e o que se pode fazer para aproveitar!).

Por Rohini Hensman rohinihensman yahoo.co.uk
e Marinella Correggia mari.cor libero.it (Boycott Bush contact for Italy)


  • Introdução
  • A história da hegemonia do “dollar”
  • A “moeda” razão para a guerra do Iraque e o “petro Euro”
  • O que fazer: não cooperar economicamente, sem violência
  • Notas


    Introdução

    Argumentamos neste artigo que a habilidade dos EU de fazer conquistas imperiais, como a que se faz no Iraque, depende da sua óbvia supremacia militar, que no caso está baseado no uso do dólar como moeda global de “aceitação geral” (currency). É a hegemonia do dólar que serve de base para o domínio econômico dos EU em geral, assim como um aparente ilimitado uso do poder, que os permite manter centenas de milhares de tropas estacionadas em todo o mundo. Destrua a hegemonia do dólar e o “Império” entrará em colapso.

    O artigo de David Ludden “O Império invisível da América” [1] resume o problema do mais recente império com aguda clareza. Constituído em um tempo onde a descolonização estava bem encaminhada e outros impérios se desintegravam, o imperialismo dos EU nunca apareceu abertamente. Inicialmente, se disfarçava como defensor da democracia contra o comunismo; quando a União Soviética deixou de existir, o pretexto tornou-se então a “guerra contra o terror”. Segurança nacional e interesse nacional foram invocados como o argumento racional para o domínio global.

    A descrição de Ludens faz alusão à imagem dos cidadãos dos EU (e uns poucos outros) vivendo um Show de Truman mundial, uma bolha de ilusões criado por um estado decepcionante com a cumplicidade da mídia que lhes aliena da realidade do império. Entretanto, todos que estão fora podem ver claramente. Isto soa bem crível quando afirmam que “o império não dará marcha ré até que sua realidade e custos se tornem visíveis para os Americanos” (p.4777). Entretanto, o que diz Ludens é que “os votantes e os que pagam as taxas, pagam o custo total do império dos EU” (p.4776) para dizer o mínimo. Se isto fosse verdade, muitos outros Americanos veriam seu império e se oporiam a este; os Democratas deveriam ter colocado um candidato para as recentes eleições com princípios contra a guerra e a ocupação e a grande maioria do eleitorado dos EU teriam votado nele. Mas é o resto do mundo que vem pagando pelo império dos EU: por isso, tal situação é quase invisível dentro dos EU.

    Como Emmanuel Todd escreveu, [2] uma economia imperial deve trazer benefícios do exterior, sem nenhuma reciprocidade. Atualmente, os EU dependem mais do resto do mundo que ao contrário. Isto explica o seu comportamento: não somente por sua necessidade estratégica de por as mãos nos recursos (naturais) do mundo, mas também sua necessidade pela hegemonia. Para contrabalançar sua dependência econômica, precisam manter-se - ao menos simbolicamente - no centro das atenções. Necessitam demonstrar sua “onipotência’”: é por isso que fazem a guerra contra inimigos militarmente fracos. Ao mesmo tempo necessitam aparecer como bem feitores - assim o seu turbilhão devastador pelos países afetados pelo tsunami, de maneira a tirar proveito disto, saindo bem nas fotos.

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    A Historia da hegemonia do dólar

    A principal vantagem da economia dos EU, a fonte do seu domínio financeiro, é o papel peculiar da sua moeda. E é porque o dólar é a moeda de negócios mundial, a razão pela qual os EU são capazes de manter o seu duplo déficit: fiscal e comercial. Os EUA necessitam de um subsídio de ao menos 1.2 bilhões de dólares por dia para manter alto o seu nível de aquisição. Sua superioridade militar é uma razão pela qual é improvável que sofrerá um embargo, mas, mais importante, é que poderá viver por meios próprios da hegemonia do dólar. Mas por quanto tempo?

    O mecanismo do dólar vem sido descrito extensivamente alhures, [3] assim vamos sumarizá-lo abreviadamente aqui. A solidez da economia dos EU após a Segunda Guerra Mundial favoreceu ao “US dollar”, tendo o ouro como lastro ouro, a tornar-se a moeda de câmbio nas operações comercias em todo o mundo. Quando os EU abandonou o “padrão ouro” em 1971, o dólar permaneceu imbatível, e sua posição foi impulsionada em 1974 quando os EU firmaram um acordo com a Arábia Saudita no qual o dólar seria a única moeda no comércio do petróleo. [4] A maioria dos países importa petróleo, e isto faz sentido, por causa da acumulação de dólares que lhes protege das fortes mudanças do mercado do petróleo. Os países do Terceiro Mundo têm ainda mais razões para poupar dólares no sentido de proteger suas frágeis economias e moedas de um repentino colapso e desvalorização. Com todos clamando por dólares, tudo o que os EU tem que fazer é imprimir papel (bônus) e os outros países irão aceitar por pagamento de suas exportações. Estes dólares voltam aos EU para serem investidos em Bônus do Tesouro e outros instrumentos, contrabalançando a saída de dólares.

    Como uma moeda reserva, o dólar preenche as necessidades do mundo em estreita ligação com as funções de uma moeda de circulação nacional; o país será favorecido, poderá contrair débitos por períodos extensos em uma escala em que poderia levar ao desastre a moeda de qualquer outro país. Mas esta vantagem é uma faca de dois gumes. [5] Tal condição permite que o rápido crescimento do déficit fiscal passe despercebido; em 2004 o déficit comercial dos EU alcançou os US $ 503 bilhões, o de contas chegou a US $ 413 , o débito bruto nacional a US$ 7 trilhões . A globalização acabou com os EU como uma nação manufatureira; a terceirização dos serviços evidencia ainda mais que o setor está gradualmente transferido para fora dos EU. [6] Somente sua prevalência no setor dos serviços financeiros permanece intacto. [7] E isto se sustenta pela hegemonia do dólar.

    Como Pierre Lecomte, um analista de finanças francês e apoiador da campanha “Dette et dollar” (Para rejeitar o dólar como moeda) diz, “Enquanto o resto do mundo tem que trabalhar duro para poupar dólares que são gastos em compra de mercadoria no mercado exterior, ou pagar a dívida externa, os EU somente tem que imprimir cédulas”. [8] E como Frédéric Clairmont escreveu no Le Monde Diplomatique (Abril 2003): “Vivendo do crédito, é o credo da mais conhecida potência do mundo”.

    Muitas campanhas através do mundo vêm solicitando às pessoas para que boicotem produtos e serviços “made in USA”, [9] mas muitos produtos das marcas Americanas não são feitos nos EU. No entanto, recusar-se a comprar estes produtos talvez reduza os “royalties” dos EU, mas não vão danificar seriamente o poder econômico desse. Por outro lado, “ as mais longevas das marcas Americanas viventes não são, certamente a Coca Cola ou o Mac Donalds, mas sim, o dólar Americano. [10] Tomando isto em conta, a secretaría da campanha internacional ‘Boycott Bush’, baseada na associação ‘For Mother Earth’ na Bélgica , recentemente perguntou a seus membros se eles estavam prontos para abrir uma outra frente, ‘boicotar o dólar’. A maioria deles respondeu que ‘sim’.

    A hegemonia do dólar é o que oculta os custos do Império, o qual vem efetivamente sendo pago pelos cidadãos Americanos para que estes possam comprar o resto do mundo. Outros países são induzidos a aceitar papéis ( no original – “fiat dollars” ... não seria títulos cambiais?) por não ter outra chance. Esta é a única moeda do mundo.

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    A “moeda” razão para a guerra do Iraque e o “petro dólar”

    Então... fez-se o Euro. Naquele momento, a chance era só potencial, já que o Euro inicialmente perdia valor, tornando-se assim uma moeda de risco. Os primeiros países não-Europeus que se moveram a favor desta moeda, o fizeram mais por razões políticas que econômicas. Quando Saddam Hussein mudou para o Euro nos finais de 2000 e converteu US $10 bilhões em um fundo reserva da ONU em Elmos, alguns analistas comentaram que esta gestão política poderia gerar um pesado custo econômico. [11] Mas contra todas as expectativas, ele atualmente alcança ganhos quando o Euro está em baixa. [12] O Iran é um outro país que, em 2002 converteu mais da metade da sua reserva no estrangeiro em Euros. [13] Ambos, Iraque e Iran são produtores de petróleo e o impacto e o impacto de sua atitude de obediência , pode ser significante. Em contraste, a mudança oficial da Coréia do Norte para o Euro em 2002 [14] foi insignificante desde o ponto de vista da economia mundial, ainda que isto signifique um costume que o imperialismo dos EU têm que refrear a todo custo. Repentinamente, o discurso ácido de George W Bush contra o ‘Eixo do mal’, o que parecia arbitrário e jocoso naquela época, não parece ser tão engraçado. Acrescente a este quadro o fato que Hugo Chaves – contra quem os EU apoiaram um levante, e que segue sob ataque do regime de Bush – tem apartado uma grande parte do mercado de petróleo fora do alcance do dólar estadunidense, [15] e as compulsões econômicas que dirigem a política exterior dos EU tornam-se claras. O poder militar, sózinho, não pode ser visto como base de sustentação de um império: o poder econômico é crucial. E, para a decadente economia dos EU, a supremacia do dólar é essencial para manter seu feudo econômico.

    Tal situação não é indesafiável. Antes da guerra do Iraque, um economista Iraniano e uma revista Marroquina, L’Indépendent, sugeriram que os homens de negócios Islâmicos e seus respectivos países deveriam retirar o dólar como sua moeda reserva de cambio exterior, com o objetivo de enfraquecer os EU ou ao menos detê-los de tal política exterior agressiva, em função da deterioração das relações entre os EU e o mundo Árabe, e que bem poucos países exportadores de petróleo do Oriente Médio voltassem a aumentar a sua proporção de pagamentos feitos em Euros. Foi anunciado que a Rússia poderia também seguir este caminho. Em 2003, um alto representante do petróleo Iraniano, em seu discurso na Europa, disse que a compra de petróleo, no futuro, deveria ser efetivada em Euros. China e Rússia insinuaram que poderiam começar a converter seus investimentos no exterior em Euros ao invés de em dólares. Um artigo no China Daily em 28 de Setembro de 2004 por Jiang Ruiping, diretor para Assuntos Exteriores, assinalou que a China está perdendo, devido à desvalorização do dólar e perderia ainda mais se esta quebra acontecesse , e recomendava transformar os dólares em Euros e possivelmente também em yens, assim como recomendava também usar suas reservas de dólares para completar seus estoques de petróleo. [16] Outros países como Coréia do Sul e Taiwan também planejam mudar alguns de seus investimentos no exterior, para outras, que não o dólar. [17]

    Tudo isso enfraqueceu o dólar Americano, mas isto não necessariamente quer dizer que este vá descer a ponto de paralisar sua função como moeda internacional. Existem pressões contraditórias, ambas dos EU e de seus maiores credores. Nos EU, pode haver esperanças de que um dólar mais fraco promova impulso às exportações, mas isso parece ter mostrado o quanto a indústria norte-americana se tornou competitiva. [18] E o mais importante, o déficit dos EU diminui inversamente ao dólar. O encarregado da Reserva Federal Alan Greenspan alertou sobre dilema dos EU em Novembro de 2004, num discurso em que parecia aceitar a inviabilidade da fraqueza do dólar de maneira a ajudar o déficit dos EU. Isto poderia ser um favor para os EU até o dólar declinar como seu papel de moeda internacional, mas isto poderia trazer enormes perdas nos países que acumularam grandes quantidades de reservas em dólares. China e Japão mantêm somente cerca de um trilhão de dólares, enquanto países como Índia (e menores economias) podem guardar menores quantidades; a desvalorização de suas reservas está sendo prejudicial, e deverá prejudicar-los ainda mais se o dólar desvalorizar. [19] Estes países podem, mais adiante, pensar em vender dólares e mudar suas reservas para outra moeda internacional. [20] Uma tentativa de contra-atuação foi provavelmente a responsável pelos rumores, em Janeiro de 2005, de que a Reserva Federal deverá subir os valores das taxas Para os países que exportam para os EU existe outro dilema. Japão, por exemplo, compra bilhões de dólares para manter baixo o valor do yen e manter suas exportações competitivas. Encurtando, se beneficia da supervalorização do dólar, mesmo quando poderia perder substancialmente se o dólar quebra. Países devedores deverão ganhar com uma desvalorização do dólar, desde que seus débitos estejam em dólares; mas se eles tem reservas no exterior em dólares, estas estariam desvalorizadas, e também poderiam sofrer se dependem das exportações para os EU, as quais os EU não poderiam assumir por muito tempo. Assim, existem poderosas forças resistindo à transferência do dólar como moeda internacional.

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    O que fazer: não cooperação econômica sem violência

    Isto trás os EU de volta ao dilema colocado por David Ludden. Os custos do império aparecerão para o povo americano somente quando estes vierem a ter que pagar por eles, e isto somente acontecerá (a) se outras nações pararem de subsidiar suas aventuras imperiais em conluio com eles, e (b) se o dólar perder seu papel no mundo como moeda reserva internacional. Uma depreciação do dólar, enquanto mantêm seu papel como moeda reserva internacional, que é o que vem acontecendo até agora, pode, na verdade , ajudar o imperialismo norte-americano, na redução do valor dos seus déficits fiscal e comercial. Somente quando houver uma mudança em grande escala das reservas em dólares, o resto do mundo deixará de pagar pelo império dos EU. Pode ser que isso não aconteça em um futuro próximo, caso tal questão seja deixada apenas à mercê completadas forças econômicas. Enquanto isso, as ocupações do Iraque e da Palestina seguem, o Iran pode ser invadido (como Bush tem ameaçado repetidamente) e assim a coisa vai. Por outro lado, se os especuladores do mercado monetário entrarem em cena e o dólar entrar em queda livre, a economia mundial pode ser empurrada escada baixo! Evitar que isso aconteça requer planejamento e coordenação.

    Para cidadãos do mundo que fazem oposição ao imperialismo dos EU, isso tudo sugere uma série de maneiras de ação. A “segunda superpotência mundial”, a opinião publica, protestou contra a invasão do Iraque, e como tais protestos falharam para evitar tal ofensiva, medidas mais contundentes são necessárias. Mas o esforço militar que se faz no Iraque está matando e ferindo centenas de milhares de Americanos, a maioria deles de famílias pobres; certamente isto não é desejável. A alternativa que propomos é a contestação não-violenta contra o monstro imperial. Por exemplo:

    1) Exercendo pressão sobre todos os outros países para que não participem de maneira alguma na ocupação do Iraque, e/ou não delegar poder aos países que estão em conluio nesta empreitada, votando em soluções alternativas que levem a uma retirada daquele país. Na Inglaterra, por exemplo, se os Liberais Democratas estão fazendo campanha para que se faça uma retirada das tropas Britânicas do Iraque, todos os ativistas contra a guerra, incluindo aqueles que votam nos Trabalhistas ou nos partidos de esquerda, devem fazer campanha por eles nas próximas eleições, como o fazem, de forma semelhante, outros governos que apóiam os EUA, tais como a Itália e o Japão. Tal atitude deixaria, de forma clara e honesta, o peso da responsabilidade por mais essa empreitada imperialista, exclusivamente nos ombros da administração norte-americana.

    2) Recusando o uso do “US Dollar” exceto ao estar nos EU. Mesmo se tal prática seja levada adiante apenas em nível individual, o poder do dólar americano seria minado; entretanto, outros atores econômicos, como o movimento para um comércio justo, também deveriam adotar outra moeda, no âmbito de suas relações econômicas internacionais: o movimento está crescendo, e este seria um gesto importante. Tanto acadêmicos quanto ativistas deveriam parar de utilizar equivalências do dólar para fazer cálculos de ingressos nos países do Terceiro Mundo, etc.; no momento o Euro pode ser usado como padrão. Uma ação enérgica nesse sentido teve papel importante no fim do domínio Britânico na Índia, e em conseqüência, do império Britânico; se praticado em uma escala bem maior, poderia contribuir para minar o império dos EU.

    3) Os cidadãos do Terceiro Mundo pressionando seus governos, para que mudem seus investimentos no exterior para outras moedas, bem como incentivar a criação de moedas regionais para estreitar e fortalecer laços comerciais e econômicos nessas regiões. Tal atitude não deveria ser somente um gesto de solidariedade ao povo acurralado no Iraque, Palestina e outros, oprimidos pelo império dos EU, mas também contribuiria para formar um senso econômico. Os países em desenvolvimento que têm toda ou grande parte de suas reservas de câmbio exterior em dólares estão perdendo dinheiro, na medida em que a moeda norte-americana perde seu valor. Se o dólar é repentinamente desvalorizado, suas reservas podem desaparecer.

    4) Pressionando os governos dos países produtores de petróleo, para que não fechem negócios em “US dollares”. Não se trata, necessariamente, de uma mudança radical para o Euro. A Venezuela concluiu vários acordos de troca com outros países Latinos Americanos, incluindo Cuba, fornecendo-lhe petróleo em troca de bens e serviços, [21] e este é um comportamento padrão que outros países produtores de petróleo poderiam considerar. Por exemplo, dezenas de milhares de trabalhadores imigrantes do sul e sudeste asiático que trabalham em países do Golfo (Acaba); se suas remessas em dinares, dirhams, etc. podem ser diretamente usadas para importação de petróleo, todas as partes se beneficiariam. Acordos de trocas que não envolvam petróleo também podem ser realizados entre países desenvolvidos.

    5) Mudar os padrões mundiais de comércio. Se o dólar cai drasticamente, sem mudanças no mercado, muitos países que dependem de exportações para os EU seriam afetados adversamente, por sua inabilidade em importar bens, diante de um dólar enfraquecido. Uma reorientação do mercado sem a participação dos EU seria então necessária. Por exemplo, os planos para constituir o SAFTA ( Singapore – Ásia Free Trade Agreement) como um bloco livre de tarifas e barreiras para a imigração, deveriam ser implementadas a grande velocidade, e o comércio com outros países, promovido ao mesmo tempo. A União Européia e o MERCOSUL na América Latina, são outros exemplos que deveriam ser copiados. China e Japão, os maiores credores dos EU, sofrem muito com a caída do dólar, e tem que trabalhar buscando padrões de comércio alternativos para salvaguardar suas economias.

    6) Fazendo campanhas nacionais e internacionais, por políticas de criação de emprego, proteção dos direitos do trabalhador, redução do horário de trabalho, e forçar o pagamento de pisos salariais que sejam adequados para manter um padrão decente de vida. Tais medidas são necessárias para redistribuir recursos do consumo inconseqüente dos países ricos e poderosos para o consumo produtivo do povo trabalhador, e então expandir mercados populares, especialmente em países do Terceiro Mundo, mas também na Europa e América do Norte.

    7) Em adição a estas medidas econômicas, para terminar com o imperialismo dos EU seria necessário pressionar para a criação e implementação de uma lei humanitária internacional, lei internacional e acordos multilaterais (assim como as Convenções de Genebra, o Tratado de Roma sobre a Corte Internacional do Crime, Convenção sobre Armamento Químico, Convenção sobre Armas Biológicas, suprimir os Testes de Avaliação Mental, Tratado sobre Minas Militares, “ILO Core Conventions”, “CEDAW” e o Protocolo de Kioto), e a retidão e democratização das instituições multilaterais (como a ONU, “ILO” e OMC). Um exemplo recente de tal ação foi a carta aberta de autoria de eminentes Sul-Africanos, (incluindo o Presidente Nelson Mandela e o Arcebispo Desmond Tutu) protestando contra as tentativas dos EU de remover Kofi Annan de seu cargo como Secretário Geral da ONU , na qual diz, “Aqueles que pedem sua renúncia, traem a objetividade que requer a posição por ele ocupada, como pede o cargo de Secretário-Geral, e honram a ONU como porta-voz a ser enaltecida, defensora e glorificadora e que exonera os políticos dos EU, quer estejam certos ou errados. [22] Também importante são as ações que levem a ”julgamento” os EU por violações das leis internacionais, assim como no Tribunal Internacional para o Iraque no qual várias ações estão em curso, lideradas por vários países, em nome de centenas de movimentos. Certamente a efetividade das leis internacionais e instituições multilaterais estão sendo seriamente questionadas pela não participação e sabotagem dos EU; ainda que outros países persistam na construção de uma democracia global, os EU estarão sob grande pressão para que cumpram as decisões das cortes internacionais mencionadas.

    Mesmo se todos possíveis ajustes forem feitos, não há dúvida que o declínio e queda do dólar como a única moeda mundial causará sofrimento, tanto dentro como fora dos EU. Mas a alternativa é incomparavelmente pior. A ordem mundial não pode sobreviver por muito tempo tendo um país pesado, fortemente armado e indomável, causando turbulência ao violar todas as leis internacionais e tratados multilaterais. A economia mundial não pode concordar em depender de uma moeda de uma nação em bancarrota, com um orçamento militar colossal. E a Terra em si, é posta em risco por um país que devora enormes quantidades de combustível fóssil e emite gases de efeito estufa em uma proporção catastrófica.

    O imperialismo dos EU seria incapaz de seguir com sua política destrutiva sem a ilimitada quantidade de cheques em branco ofertados a este pelo resto do mundo. Sendo assim, está sob responsabilidade do resto do mundo acabar com a fonte deste apoio. A besta tem que ser morta através de um ataque a seu ponto mais vulnerável. Enquanto isso, se existir gente suficiente dentro dos EU, trabalhando para que depois das próximas eleições se instalem e um presidente e representantes que abandonem as metas do Império e ao mesmo tempo, reintegrem os EU à comunidade internacional, cumprindo às leis, fiscalmente responsável, membro não poluidor, o resultado será uma ordem global longa e mais estável tanto economicamente, quanto com relação ao meio ambiente.

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    Notas

    [1] David Ludden, ‘America’s Invisible Empire,’ Economic and Political Weekly Vol.XXXIX No.44, Bombay, 30.10.04, pp.4776-77

    [2] Emmanuel Todd, Dopo l’impero – la dissoluzione dell’impero americano, Marco Tropea editore (Italian translation, 2003)

    [3] William Clarke em particular, relata um caso impressionante, com grandes evidências em seu ensaio virtual: ‘Revisited: The Real Reasons for the Upcoming War With Iraq: A Macroeconomic and Geostrategic Analysis of the Unspoken Truth’ (www.ratical.org/ratville/CAH/RRiraqWar.html January 2004), que é uma versão revisada do seu ensaio original de Janeiro de 2003.Muitas das referencias deste artigo foram tomadas dele. Veja também Henry C.K.Liu, ‘US dollar hegemony has got to go,’ Asia Times, 11.4.02

    [4] David E.Spiro, The Hidden Hand of American Hegemony: Petrodollar Recycling and International Markets, Cornell University Press, 1999

    [5] Paul Craig Roberts, ‘The coming currency shock,’ Counterpunch, 16/11/04, www.counterpunch.org/roberts11162004.html

    [6] Paul Craig Roberts, op.cit.

    [7] Lawrence G.Franko, ‘US Competitiveness in the Global Financial Services Industry,’ www.financialforum.umb.edu/documents/Franko%20Fin%20Svcs%20Global%20Comp.pdf , October 2004

    [8] Pierre Lecomte, Comment sortir du piège américain?, ed. F.X. de Guibert, Paris 2003

    [9] Tais campanhas são coordenadas pela rede internacional “Boycott Bush”, www.boycottbush.org

    [10] Lawrence G.Franko, op.cit.

    [11] Veja, por exemplo Charles Recknagel, ‘Iraq: Baghdad Moves to Euro,’ Radio Free Europe, 1.11.2000

    [12] Faisal Islam, ‘Iraq nets handsome profit by dumping dollar for euro,’ The Observer, 16.2.2003

    [13] ‘Forex Fund Shifting to Euro’, Iran Financial News, 25.8.2002

    [14] Caroline Gluck, ‘North Korea embraces the euro,’ BBC News, 1.12.2002

    [15] William Clark, op.cit.

    [16] Gary North, ‘Asian doubts regarding the dollar’, www.LewRockwell.com/north/north308.html, 1 October 2004

    [17] Phillip Day and Hae Won Choi, ‘Asian Central Banks Consider Alternatives to Big Dollar Holdings’, Wall Street Journal, 5 February 2004

    [18] Roberto Panizza, “Movimenti internazionali di capitali dal Rinascimento ai nostri giorni”, in Gli spazi della globalizzazione, edited by F.M. Parenti, Diabasis, Reggio Emilia, 2004.

    [19] Veja , por exemplo, Ila Patnaik, ‘Day of the declining dollar – How should India be responding to this trend?’ Indian Express, 18 December 2004

    [20] Mike Dolan, ‘Dollar fall will come at a price for all,’ Reuters, 21.11.2004, www.maconareaonline.com/news.asp?id=9200

    [21] Hazel Henderson, ‘Beyond Bush’s Unilateralism: Another Bi-polar World or a New Era of Win-Win?’ InterPress Service, June 2002

    [22] M.P.Muttiah, ‘US backs out on Annan,’ Sunday Observer, Colombo, 12.12.04, p.9


    Enviado ao Boycott Bush International Secretariat on January 23, 2005
    Publicado pelo The Economic and Political Weekly (India) e em www.decoder.it (Italy)


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